Como a fé me tornou uma pessoa resiliente

Como a fé me tornou uma pessoa resiliente

Segundo a psicologia, resiliência é a capacidade que a pessoa tem de lidar com problemas. O indivíduo resiliente é capaz de adaptar-se a mudanças e superar dificuldades. As situações geralmente envolvem grandes dificuldades, podendo até mesmo gerar traumas.

Para a física, é a capacidade que um corpo tem de retornar à sua forma original após sofrerem uma deformação.

Independente das definições formais existentes, este termo descreveu bem o antes e depois que vivi nos últimos anos em minha vida. Após trabalhar mais de uma década para construir um negócio de sucesso, me deparei com a falência completa.

Esse processo foi extremamente dolorido, pois além do sofrimento físico, existe um grande sofrimento mental na perda de bens, status e principalmente de sonhos.

Entretanto, fui tendo que me adaptar à nova realidade produzida após esta falência. Tive que aprender a não mais viver do lucro, e sim da renda proveniente do meu próprio trabalho. Aprendi a trabalhar pelo pão de cada dia, e não mais para aumentar o faturamento, lucros e investimentos.

Na vida pessoal não foi diferente. De um corte de cabelo caro, passei para um mais barato. De uma casa grande, para um apartamento pequeno. Do sonho de ser rico e conhecido, para a realidade de ser pobre e desconhecido.

Engraçado pensar que desde o início, aos 16 anos, quando decidi ser rico trilhando a carreira do empresariado, meu maior medo era não ser capaz de sustentar minha família com dignidade. Aliás, por isso, eu e minha esposa adiamos nosso primeiro filho. Esperamos uma condição financeira mais segura para depois ampliar nossa família.

Hoje me arrependo desta ideia. Sei que a condição financeira não é o indicador mais importante para se ter filhos. Mas isto é assunto para outro post.

Depois deste revés da vida, me pergunto: como fui capaz de superar tal situação e agora estar muito mais feliz do que antes?

Para resumir essa passagem (do Marco fraco e medroso para o Marco resiliente), observei as seguintes mudanças interiores.

Uma fé madura e prática

Embora tivesse desenvolvido meu relacionamento com Deus em outras áreas de minha vida, nunca havia deixado Ele agir verdadeiramente nesta situação. Ou por ignorância, ou por orgulho, não deixava Deus atuar nos meus negócios e em minha carreira profissional. Quando Deus assumiu o controle, tudo mudou para melhor.

Claro que eu rezava e pedia Sua ajuda nas situações difíceis, quando os problemas apareciam e tudo mais. Porém isso não é uma fé verdadeiramente madura. Aprendi que antes de tomar qualquer decisão, preciso recorrer ao Espírito Santo. Aprendi que tudo o que faço precisa ser para Ele, com Ele e por Ele. Não fazer as coisas para o mundo, não fazer para mim.

Esta fé me ajudou a fazer bem todas as coisas. Antes quando tinha um grande projeto para trabalhar, ficava feliz e fazia bem. As pequenas tarefas porém, fazia de qualquer jeito pois não havia grande retorno. Quando comecei a fazer para Deus, isso transformou tudo. As pequenas coisas que faço são tão importantes como as grandes. Não preciso que outros aprovem meu trabalho. E se faço algo desagradável ou que não dá resultados agora, coloco nas mãos Dele. Isso é libertador e aumenta minha esperança.

Mudança de paradigma interior

Depois da falência (e principalmente com as dívidas) comecei a notar, com a ajuda do Espirito Santo, que a forma como eu enxergava o mundo não era boa.

Meu padrão de pessoa vitoriosa era aquela que trabalhava muito e ganhava muito dinheiro. Meu padrão de vida ideal era alto, com muitos bens, viagens e experiências. Meu padrão ideal de pessoas eram as belas, ricas e inteligentes.

Esse paradigma de vida mudou durante a internação de minha sogra, que entrou em coma e foi mandada para UTI. Após uma das visitas, eu e minha esposa fomos para a missa na Canção Nova, como costumávamos fazer. Já estávamos ficando sem dinheiro devido às altas despesas médicas e ao fato de eu não estar trabalhando, pois cuidava dela. Lembro bem que ao ir na lanchonete para comprar um café, o dinheiro só dava para um pão com manteiga. Naquele momento senti uma forte conversão interior. De repente aquele pão com manteiga era maravilhoso e aquela situação de pouco ou nenhum dinheiro produziu uma forte felicidade interior. Era o Espírito Santo.

Depois disso fui mudando mais e mais em relação a importância das coisas. Mudanças que não podem ser vistas, apenas sentidas. Comecei a ter vergonha das coisas e bens que possuia e mais ainda das que desejava possuir. Lembro que um dia, ao conversar com um vizinho mais pobre, ele me contou que morava em uma casa de dois cômodos e um banheiro com 6 pessoas. A casa que morava com minha esposa na época tinha 7 cômodos e dois banheiros. Senti uma forte vontade de mudar daquela casa a partir desta data.

Mudar o foco da vida

Como já havia dito, meu sonho sempre foi ter um negócio de sucesso e aproveitar a vida da melhor forma, ajudando as pessoas, constituindo uma família e aproveitando ao máximo as experiências deste mundo.

Porém este não é um pensamento verdadeiramente Cristão. Na verdade, é um jeito de viver contaminado em sua essência, pois coloca o foco neste mundo. Quando um dos elementos falham ( e eles falharão pois tudo aqui é falho), perdemos o chão.

Poucos Cristãos e Católicos praticam, mas um dos principais ensinamentos de Jesus foi que devemos perder a vida para ganhá-la. Isso significa, na prática, que devemos ser perdedores neste mundo para ser vencedores no próximo que virá quando Jesus voltar em glória. Pausa para respirar.

Minha ficha caiu para isso ao ler um livro do Padre Jonas, onde ele falava do assunto com a maior naturalidade do mundo. Ele explicou que os santos de Deus, os eleitos, aqueles que morrerem na amizade de Deus, serão ressuscitados na segunda vinda de Jesus e terão uma nova vida no mundo novo que Cristo irá renovar. Este novo mundo será aqui, não será no céu! A vida no céu vira a seguir, após esse grande período de vitória do reinado de Cristo.

Após essa informação ajustei ligeiramente meu foco, para antes de tudo e em primeiríssimo lugar, fazer a vontade de Deus nesta vida para ganhar uma nova vida, muito mais plena e completa quando Jesus voltar.

Porém isso exige grandes renúncias. Renunciar aos meus desejos de riqueza, de sucesso. Servir e não ser servido é muito difícil neste mundo. Mas, só de mudar o foco desta vida para a próxima, senti que os problemas de antes se tornaram oportunidades para crescer aos olhos de Deus.

Quando tenho uma dificuldade, uma frustração, consagro a Deus e encaro com alegria, pois sei que terei uma grande recompensa me aguardando, maior que qualquer riqueza deste mundo precário.

A habilidade de transformar as perdas em oportunidades

Todo esse caminho de fé que trilhei me levou a adquirir uma nova habilidade: transformar perdas em oportunidades. Antes, quando perdia algo ou alguém, sentia que um pedaço de mim era arrancado. Esse sentimento de perda pode ser renovado pela fé com o Espírito Santo.

Agora, ao perder algo, através da oração, sou capaz de enxergar oportunidades de ganho espirituais. Esses ganhos são maiores quado o sofrimento é maior. Porém, são menores ou quase inexistentes quando não há sofrimento.

Essa habilidade na verdade é um dos dons do Espírito Santo, o dom da Inteligência. Não tem nada a ver com conhecimento, cultura ou QI: este dom permite ver a ação de Deus na nossa vida e na vida das pessoas ao nosso redor. Esse dom nos ajuda a entender a palavra de Deus e a ver quando Ele está nos falando e guiando.

Com esse dom, ou habilidade, somos capazes de ver nas piores perdas as maiores oportunidades de crescimento pessoal e espiritual. Porém, este dom exige comunhão com Deus e morte para o pecado.

Aqui vale uma observação: tudo que falei neste post, seria estranho e impossível para mim há alguns anos atrás. Foi apenas depois de passar por um encontro pessoal com Jesus, que está narrado neste blog, que comecei a desenvolver essa capacidade. Antes, consideraria este texto fanático, radical, extremista e muito religioso. Mas veja que, pela minha experiência, existe uma profunda relação entre a nossa mente e nossa alma.

Se você não consegue absorver o que foi dito não se preocupe: pra mim também não fazia sentido. Apenas mantenha a mente aberta e anseie por este encontro com Jesus. Ele está bem aí ao seu lado.

Marco Floriano

Marido e pai, sou católico e empreendedor. Gosto de partilhar idéias e experiências. Você pode conhecer mais sobre meu trabalho em Cursos7 e Setor9.