Como ser marido e homem nos tempos modernos

Como ser marido e homem nos tempos modernos

Não há dúvida que as mulheres mudaram seu comportamento no último século. De mães dedicadas a muitos filhos, à mães sem tempo para um ou dois. De donas de casa virtuosas, capazes das mais incríveis proezas no lar, à profissionais de carreiras exemplares.

Antes a mulher esperava que o homem trouxesse o sustento para a casa. Hoje, além de esperarem isso, elas querem ter uma renda para sí e suas necessidades pessoais. De poupadoras domésticas, temos consumidoras vorazes de shopping centers.

Ser bela envolvia principalmente ser bem vestida, com roupas estilosas, jóias, casacos, sapatos, chapéus e luvas. Agora ser bela passa pelo malhar bastante, comer coisas estranhas e sentir constantemente uma culpa por estar gordinha.

Há não muito tempo atrás, ao dirigir por pontes e rodovias durante a noite, nos deparávamos com mulheres de micro-saias, tatuagens e saltos muito altos. Hoje, dependendo da festa que vamos, todas estao vestidas assim.

Do vestir, ao comer, sentir, ter e ser, tudo mudou nas mulheres de um século para cá. E continua mudando.

Mas e nós, homens? Como ficamos nisto tudo?

Embora menos evidente, muitas coisas mudaram para o homem moderno. Sem dúvida, se fossemos capazes de enviar um jovem nos seus vinte e poucos anos de idade da década de 1920 para cá (2020), o primeiro choque que ele teria é como os jovens dançam mal!

Outro choque seriam as roupas. Calças femininas fits, camisas apertadas, nada de chapéus, shorts e tênis praticamente pra todo lado. E muito, mas muito jeans!

Ok, vamos avançar um pouco. O que mais chocaria um homem de seus 30 e poucos anos de cem anos atrás nos dias de hoje? Eu começaria pela incrível capacidade que os adultos masculinos possuem na atualidade de permanecer na casa dos pais.

Claro, as razões são inúmeras. Estudar é a principal delas. Como o homem moderno precisa estudar por muito mais tempo, é comum pensar em casamento depois dos 30 anos. Mais chocante ainda seria a baixa fertilidade masculina. Se antes ter muitos filhos era sinônimo de viralidade (quando minha filha nasceu um senhor me chamou de varão) hoje um homem que tem muitos filhos parece ignorante.

Outra mudança chocante é o número de homens afeminados. É normal, especialmente nos grandes centros urbanos, vermos jovens do sexo masculino que se movem como moças, falam como moças e até se vestem como moças.

Não quero ser pessimista, mas acredito que existe uma grande falta de identidade do homem na sociedade de hoje. As razões eu desconheço. Alguns dizem que é normal, a modernidade, novas formas de pensar e educar, etc. Eu não vejo nada normal nisto.

A maior falta de masculinidade que vejo se propagando cada vez mais hoje entre os jovens é a falta de coragem. O homem, em sua essência, precisa ser corajoso. Diferente da mulher, que é criada para a proteção, o homem é criado para o combate.

A mulher em sua essência, vem depois do homem. O homem, em sua essência vem na frente da mulher. Pausa para espancamento coletivo. Isso não quer dizer que a mulher seja menos importante, pelo contrário. Ela é mais importante, por isso o homem deve dar a vida pela mulher.

Vejamos alguns exemplos.

Quando o Titanic afundou, 80% das vítimas eram homens e 80% dos sobreviventes eram mulheres. Os homens foram na frente, entendeu? Embora essa não seja a regra, foi um belo exemplo de coragem de homens sendo homens.

Imagine uma casa de família sendo assaltada por um bandido. O normal é o homem forte e corajoso (o homem deve ser forte e corajoso) atacar o ladrão que rouba a casa, arriscando sua vida, enquanto a esposa delicada mantem os filhos escondidos em um local seguro da casa. Esse modelo é a forma como Deus nos criou.

Imaginemos ainda um jovem rapaz que busca uma vida digna e honesta. Ele deve ter coragem de assumir uma jovem para o resto de sua vida como sua esposa. Deve ser forte para sustentá-la e protegê-la, bem como seus prováveis futuros filhos. Porém o que vemos hoje são jovens machos (?) indecisos, com medo de assumir o matrimônio e vivendo cada vez mais em relações que não exigem compromissos sérios.

Não, não estou vendo problema onde não existe. Pelo contrário, é Deus quem nos ensina esse paradigma no livro do Gênesis.

Começando pelo fato do homem vir a frente da mulher e ser o responsável por ela (Gênesis 2,18):

O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada.”

Antes que a mulher existisse, o homem já estava no mundo. Ele é mais velho. O mais velho é responsável pelo mais novo. Podemos aprender ainda mais em Gênesis 2,20:

O homem pôs nomes a todos os animais, a todas as aves dos céus e a todos os animais dos campos; mas não se achava para ele uma ajuda que lhe fosse adequada.

Antes mesmo que a mulher existisse, o homem já estava trabalhando! E que trabalho, dar nome a toda criação, coisa que fazemos até hoje.

Importante notar porém que a vida do homem não tinha sentido. Deus sabia disso, mas era preciso que o homem percebesse também. Estava só, não tinha uma ajuda adequada, etc.

Ajuda adequada é uma forma de mostrar que a mulher é capaz de auxiliar o homem tanto no sentido existencial como no sentido prático da vida.

Muitos não acreditam que o livro do Gênesis deva ser tomado ao pé da letra. Porém ele nos mostra a vontade de Deus: Ele colocou uma ordem e deu um papel tanto para o homem como um para a mulher.

Maridos modernos precisam de adaptação

Partindo do princípio então que o jovem macho se torna forte e corajoso e assume matrimônio com sua escolhida, agora ele precisa ser ainda mais forte e corajoso para amá-la e respeitá-la até o fim de seus dias na Terra.

Para colocarmos a vontade de Deus em prática nos dias de hoje, temos que nadar contra a corrente. O mundo diz que devemos aproveitar ao máximo, gozando e curtindo de tudo que podemos. Entretanto, um homem entregue a seus apetites acaba sendo um escravo. Um escravo não pode amar, pois não é livre.

Ser marido é ser homem que ama. Homem que entrega a vida por sua amada, por sua família. Dificilmente um homem se tornará homem (faz sentido?) se não sair da casa dos pais. Essa é a vontade de Deus, como vemos em Gênesis 2, 24:

Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne.

Atualização 1.0 – O Provedor do Lar

Antigamente bastava casar e estava decidido: eu trabalho e você lava, passa, cozinha e cuida dos filhos enquanto estou fora. Esse padrão de pensamento facilitava a vida de nós homens. Era simples: saíamos para conseguir o sustento da família com a certeza de que nossas mulheres estavam cuidando das nossas necessidades básicas e de nossos filhos.

Hoje essa realidade não é tão óbvia. Por isso, é preciso que nós maridos tomemos a firme iniciativa de dar segurança financeira para nossas esposas e filhos. Não estou dizendo que temos que ganhar rios de dinheiro, até porque quem ganha muito e gasta tudo não tem nada. Quero dizer que devemos nos preparar e fazer nossas escolhas de vida com isto em mente.

Não sou a favor de sermos carreiristas ou workaholics. Trabalhar sem ética e sem limites só vai causar danos. Acredito sim que devemos ser bons profissionais. Um homem precisa levar a sério sua profissão. Seja um pedreiro, um padeiro, um gari ou engenheiro, deve zelar pelo seu trabalho e dedicar a ele uma parcela razoável de sua atenção.

Hoje vejo muitos homens trabalhando demais com qualidade e resultados de menos. Essa instabilidade profissional pode trazer insegurança para a esposa.

Atualização 2.0 – Assume responsabilidades no lar

Chegar em casa depois de um longo dia de trabalho e sentar na frente da TV tomando cerveja não é exatamente o modelo de marido e homem que uma mulher deseja e precisa.

Um homem não deve ter um trabalho que consuma 100% de suas energias: isso também beira a escravidão. O trabalho deve deixar espaço em algum momento do dia para a dedicação no lar: arrumar a cozinha, tirar o lixo, consertar aquela pia quebrada, lavar o banheiro.

São responsabilidades que devem ser assumidas como uma tarefa apontada pelo chefe na empresa: coisa séria. Homens modernos sabem auxiliar suas esposas nas tarefas do lar e não exitam em vestir um avental.

Atualização 3.0 – É fiel e companheiro

Foi-se o tempo que as mulheres toleravam homens no papel: forte por fora, mas incapaz de carinho, diálogo e atenção. Um homem manco. Muitos ainda são assim. As vezes eu sou pelo menos.

O marido precisa estar disposto a ouvir sua esposa, elogiá-la e compreendê-la muito mais que repreende-la. Com filhos essa responsabilidade é ainda maior.

Ser companheiro é estar junto de corpo e alma. Vejo maridos que tratam suas esposas como seres mentalmente inferiores, apenas porque ela não sabe o nome de todos os jogadores do seu time de futebol favorito. Ou porque ela não gosta de assistir noticiários. Ou porque não foi à faculdade. Isso é ridículo. Sua mulher é carne da sua carne, logo tratá-la mal é o mesmo que se tratar mal.

Toda vez que brigo ou discuto com minha esposa fico me sentindo mal. É óbvio: magoei a mim mesmo.

Se sua mulher gosta de estudar, incentive-a. Se ela gosta de trabalhar, leve-a. Se prefere ficar em casa com a família, respeite-a.

Atualização 4.0 – Leva sua família para Deus

Vejo que muitos homens modernos levam suas família para o estádio, para a praia, para viagens incríveis, mas não são capazes de levar seus filhos e sua esposa para ter um encontro sério com Deus.

O homem é o sacerdote da igreja doméstica chamada família. Se o homem não busca a Deus, ele não tem como levá-lo para sua família. Sabemos bem que uma família sem Deus é uma família morta.

E hoje em dia, infelizmente, não temos incentivo nenhum para levar Deus a nossa família. Muito pelo contrário, as pessoas tiram sarro e acham estranho. Ser homem é estar acima disto, ter coragem de nadar contra a correnteza e levar Deus a sério, especialmente dentro da família.

Este texto ficou longo, infelizmente. Tem muito assunto aí para nós homens, especialmente os maridos, refletirmos. Dizem que estamos perdendo nossa identidade, mas talvez o que falte são algumas atualizações básicas nos nossos valores masculinos.

Marco Floriano

Marido e pai, sou católico e empreendedor. Gosto de partilhar idéias e experiências. Você pode conhecer mais sobre meu trabalho em Cursos7 e Setor9.