3 Lições Fundamentais Para Trabalhar Em Casa

Fazem 7 anos que trabalho de casa em meus negócios e como prestador de serviços. Durante esses anos, passei por altos e baixos que acho importante rever e compartilhar com aqueles que trilham o mesmo caminho.

Afinal de contas, é bom mesmo trabalhar de casa? É possível ter a mesma produtividade do que no escritório? E a solidão, vai atrapalhar ou ajudar? A família pode ser um incômodo? Como montar o ambiente certo para mim? 

Essas e outras perguntas exigem experiência, ou seja, só podem ser respondidas a partir da realidade de cada um. Fujamos, portanto, de dicas genéricas e artificiais. O que aprendi foi o seguinte:

Lição 1 – Desenvolver uma nova disciplina

A primeira coisa que aprendemos depois de algum tempo trabalhando sozinhos ou em casa, é que por não precisar prestar contas de horário para ninguém, ou por não ter ninguém olhando ou passando para conferir, podemos fazer o que quiser.

Esse fato por si é uma grande dificuldade. Embora muitos considerem uma vantagem, pessoalmente não foi bom pra mim. Quanto maior a liberdade em termos de tempo e vigilância, maiores as chances dos maus hábitos que possuímos aparecerem. E não se engane, todos temos maus hábitos escondidos.

Alguns maus hábitos escondidos que você poderá encontrar ao começar a trabalhar em casa:

  • Pouca ou nenhuma organização pessoal
  • Dificuldades para criar e seguir uma rotina
  • Estabelecimento de prazos pouco razoáveis
  • Trabalhar demais 
  • Trabalhar de menos
  • Ter uma vida alimentar desequilibrada
  • Levar um estilo de vida desregrado
  • Descontrole financeiro

Quando temos um emprego fixo com horários estabelecidos, descanso e férias planejadas, chefe, hierarquia e planos de saúde e previdência pensados para nós, muitas responsabilidades são tiradas de nós e delegadas a terceiros. Mas ao trabalhar sozinho, temos que ser muito mais disciplinados, controlados e organizados.

É preciso levar a sério a disciplina pessoal, reconhecer os limites pessoais, identificar os maus hábitos e criar uma agenda realista, com horários, prazos e metas que o seu eu verdadeiro será capaz de cumprir.

Lição 2 – A existência do eu orgulhoso

O eu orgulhoso é uma teoria pessoal para explicar muitas coisas irracionais em que sou levado a acreditar em um momento, mas que não se sustentam na vida real com o passar do tempo.

Por exemplo. Quando comecei a trabalhar por conta própria, a primeira coisa que pensei é que iria ganhar muito dinheiro (o que chegou a se realizar, por um tempo). Não sei qual a razão, mas acho que ao ler sobre a vida de empreendedores de sucesso, pensava ser um e achava que por ter meu próprio negócio eventualmente chegaria a uma grande fortuna. Hoje vejo que ter um negócio não é garantia de sucesso e que muitos outros fatores estão em jogo.

Outro exemplo: Quando os clientes me pediam um prazo, geralmente dava um prazo surpreendente, que animava bastante a pessoa e até me permitia cobrar mais. Na prática quase nunca batia as metas e acabava frustando a todos, principalmente a mim mesmo.

Na primeira situação, poderia ter simplesmente começado com a mentalidade de atender bem a demanda que me era oferecida, sem grandes pretensões financeiras. Assim trabalharia de forma mais tranquila e menos desgastante.

Na segunda situação, teria feito melhor se estipulasse prazos realistas com margens de segurança. É fato que perderia alguns negócios, mas no longo prazo poderia surpreender e atender melhor os bons clientes.

Todos temos alguma variação do eu orgulhoso, que aparecerá assim que tivermos liberdade para decidir e agir. Façamos isso com humildade, reconhecendo que temos limites.

Lição 3 – Atenção à rotina pessoal

Ao começar a trabalhar a partir do home office, tinha enormes dificuldades em chegar no horário estabelecido (por mim) e sair na hora planejada, afinal, não tinha ninguém me esperando.

Assim, com o tempo, fui chegando cada vez mais tarde, até criar o péssimo hábito de começar a trabalhar por volta das 10 horas da manhã e terminar apenas tarde da noite.

Isso acabou me levando a ter uma péssima rotina pessoal: dormindo muito tarde (pra lá da meia noite) e acordando muito tarde (depois das oito horas).

O que aprendi foi o seguinte: dormir cedo e acordar cedo é mais importante do que a hora que você defini para trabalhar. Não adianta dizer, vou entrar às nove, sendo que nos sete últimos dias você foi dormir à meia noite e acordou às oito e trinta. Simplesmente insustentável.

Temos que ter uma boa rotina matinal, envolvendo principalmente:

  • Momento de oração e interiorização – se você acredita que Deus existe, comece o dia falando com Ele, e não com o celular ou com o cliente.
  • Momento da família: se você possui uma família e mora com outras pessoas, comece o dia dando atenção a elas.
  • Momento de se alimentar: começar as manhãs com um bom café da manhã é uma forma de ganhar vigor e alegria para enfrentar o dia.

É uma filosofia de vida voltada para o longo prazo: cuido bem de mim e de minha família hoje para poder trabalhar por décadas (saudável e feliz) para meus clientes.

Trabalhar em casa exige uma nova forma de pensar

Ao criar listas, elaborar uma agenda, definir prazos e metas para projetos, no início fiquei muito frustado em perceber que não conseguia cumprir e segui-los a contento. 

Com o tempo percebi que isso se devia à forma com que pensava e agia: achava que trabalharia oito horas por dia com todo foco e dedicação, como num emprego.

Mas na prática não é tão simples: é preciso desenvolver uma nova forma de agir e pensar que nos permita integrar o lar com o trabalho, sem permitir que um atrapalhe o outro. 

E como tudo que vale a pena aprender a fazer na vida, leva tempo, dedicação e paciência.

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