A idolatria das coisas

Recentemente tive a oportunidade de meditar uma passagem muito interessante do livro da Sabedoria. Tratam-se dos capítulo 13 e 14, onde o escritor nos mostra a origem de todo mal: a idolatria.

Este capítulo responde a uma pergunta que estamos vivendo na carne nos dias de hoje: porque vemos tanta impiedade no mundo? Parece que já não pensamos mais em Deus. Sabemos que Ele é. Mas não damos importância.

Tudo está numa confusão completa – sangue, homicídio, furto, fraude, corrupção, deslealdade, revolta, perjúrio, perseguição dos bons, esquecimento dos benefícios, contaminação das almas, perversão dos sexos, instabilidade das uniões, adultérios e impudicícias

Sabedoria 14, 25-26

O livro nos mostra ainda que tudo isso se deve por uma razão muito simples: retiramos Deus do centro de nossas vidas e colocamos ídolos de barro, feitos por mãos humanas, ou seja, coisas inanimadas, sem vida:

O que ainda lhe restava, não era bom para nada, não passando de madeira torcida e toda cheia de nós; contudo, ele a tomou e consagrou suas horas de lazer a talhá-la; ele a trabalhou com toda a arte que adquirira, e lhe deu a semelhança de um homem, ou o aspecto de algum vil animal. Pôs-lhe vermelhão, uma demão de uma tinta encarnada, e encobriu-lhe cuidadosamente todo defeito. Em seguida, preparou-lhe um nicho digno dele. e o fixou à parede, segurando-o com um prego

Sabedoria 13, 13-15

É claro que o livro da sabedoria foi escrito há milhares de anos atrás. Se fosse hoje porém, a descrição poderia ser aplicada facilmente aos muitos ídolos que fabricamos para preencher nossas consciências:

Ídolos modernos, segundo o livro da Sabedoria. Fonte: Wikipédia

Segundo o texto que segue o exemplo do carro citado, podemos ler na Wikipédia:

O Lamborghini Urus é um SUV produzido pela marca italiana Lamborghini, apresentado no Auto China em 23 de abril de 2012 e lançado em 2018. O seu nome vem do nome dos antepassados selvagens do gado doméstico também conhecidos como auroques

O arouque (uruz) foi um boi selvagem, extinto, considerado o ancestral do gado doméstico. No próprio artigo acima citado podemos encontrar mais informações sobre o tal boi.

É claro que este exemplo tem por objetivo ilustrar uma realidade espiritual a partir de um fato literal. Busco entender o invisível a partir de fatos visíveis.

Praticamente toda a humanidade caiu de joelhos à idolatria dos carros já há algumas gerações. Carros e cavalos sempre foram referenciados como fontes de confiança absoluta por aqueles que não conhecem a Deus.

Hoje porém atingimos um nível de idolatria das coisas como nunca visto. Os filósofos chamam a isto de materialismo. Afirmam que Deus e o mundo espiritual não existem. Só podemos acreditar naquilo que podemos tocar, isto é, que é matéria.

Durante minha adolescência, aprendi a criar projetos e estabelecer metas em minha vida. Aprendi que deveria traçar planos com base naquilo que vejo e desejo. Lembro-me de desejar ter um carro como o do exemplo. Depois de desejar, porém, passei a traçar planos concretos para atingir a meta de ser rico a ponto de comprar tal veículo.

Hoje isso me parece ridículo, porém à época (15 anos atrás), me parecia muito razoável, trabalhar para “conquistar” um Audi, ou até uma Ferrari ou coisa do tipo.

Agora, imagina você traçar suas metas profissionais em torno de algo tão vil, baixo e passageiro: ter uma casa, um carro, ou um padrão de vida tal. É assim que somos ensinados. É assim que estamos educando nossas gerações.

O sucesso está na conquista de coisas visíveis. Enquanto isso, os vícios, as faltas de virtude e de humanidade vão crescendo cada vez mais.

Concluo com um agradecimento a Deus por ter me libertado dessa idolatria das coisas, mas não tem sido fácil. Deixar o carro na garagem para andar a pé ainda me é muito desconfortável. Mas melhoro a cada dia.

Afinal, o que é a idolatria senão confiar sua vida às coisas materiais?

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